Gestão de recursos hídricos e recuperação de nascentes como alternativas para manejo da água


Octaciano Neto, secretário Estadual de Agricultura do Espírito Santo
Octaciano Neto, secretário Estadual de Agricultura do Espírito Santo

Até 2018 a expectativa do Governo do Espírito Santo é de reflorestar e preservar 80 mil hectares. É o que afirmou o secretário Estadual de Agricultura do Espírito Santo (Seag-ES) Octaciano Neto, na palestra sobre reservação de água e recuperação de nascentes, nesta terça-feira (12), no Preparatório da Engenharia e Agronomia para o Fórum Mundial da Água promovido pelo Sistema Confea/Crea em Colatina, Espírito Santo.

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A gestão de recursos hídricos com fortalecimento dos Comitês de Bacias Hidrográficas e elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos, e a construção de 60 barragens em todo o Estado, com a construção do reservatório no sistema no Rio Jucu e Reis Magos, integram as linhas de ação de enfrentamento a estiagens traçadas pelo Governo capixaba.

“A partir de 2016 conseguimos dar andamento à execução desses trabalhos. Em relação às barragens, o Governo tem feito com uma visão estratégica para atender as necessidades de cada região e de acordo com os recursos”, pondera.

O presidente do Crea-ES, Helder Carnielli, reforçou a necessidade de criação de políticas públicas, mas ponderou que não basta reservar água. “Precisamos desenvolver ações urgentes de recuperação do solo para conseguirmos preservar nossos rios”, diz. Acesse o arquivo da palestra.

Andreia Azevedo, diretora da Fundação Renova
Andreia Azevedo, diretora da Fundação Renova

Iniciativas da Fundação Renova

Andreia Azevedo, diretora Institucional da Fundação Renova – criada para fazer a recuperação das áreas e dar assistência à população atingida pelo rompimento da barragem de Mariana – falou sobre o planejamento e as ações para a reparação dos danos sociais e ambientais provocados pelo desastre ambiental.

“Até o final do ano, mil nascentes estarão em fase de recuperação. O processo de revegetação conta com 40 mil hectares e a recuperação de 5 mil nascentes, sendo 500 por ano, além da parte de tratamento de água, construção de captação alternativa, e toda recuperação de infraestrutura que foi afetada são só algumas medidas”, destaca Andreia.

Andreia ressaltou que a Fundação já vem desenvolvendo trabalhos para reparar os danos e compensar os estados e as populações que sofreram com o impacto. Ao todo, dez câmaras técnicas realizam um trabalho conjunto com o comitê interfederativo na criação de ações para estimular o crescimento e a recuperação dos 40 municípios afetados.

Frentes de trabalho voltadas para turismo, cultura e esporte, revegetação, infraestrutura, reassentamento, recuperação de nascentes e recolocação profissional fazem parte do programa de atividades desenvolvidas. São 41 programas que buscam atender cerca de 500 mil pessoas impactadas direta e indiretamente, seja pela produção, renda ou relações familiares. Acesse o arquivo da palestra.

Engenheiro industrial e mecânico Durval Vieira de Freitas
Engenheiro industrial e mecânico Durval Vieira de Freitas

Mão na massa

Para o engenheiro industrial e mecânico Durval Vieira de Freitas, diretor da DVF Consultoria e Educação Empresarial, as iniciativas básicas para tornar o país mais competitivo são capacitar, qualificar e profissionalizar a população, a começar pelos níveis fundamental e médio. “Nós não temos saída se não investirmos em educação”. Palestrante do Preparatório de Colatina para o 8º Fórum Mundial da Água, Freitas abordou a gestão territorial dos recursos hídricos, tratando das perspectivas de desenvolvimento sustentável para a Bacia do Rio Doce.

De acordo com ele, o rompimento da barragem de Mariana resultou em 40 milhões de metros cúbicos de resíduos jogados no Rio Doce. Freitas completou que 400 famílias ainda precisam ser reassentadas. O engenheiro apresentou dados e informou que a Fundação Renova terá R$ 4,5 bilhões de reais para garantir 50% de tratamento da água nas comunidades afetadas pela tragédia de Mariana. O trabalho tem previsão de gerar 9 mil empregos.  “Se um acidente fizesse as empresas pararem, a França não existiria, a Inglaterra não existiria. As empresas têm que pagar pelas consequências de seus erros, mas não podem parar”. Ele acredita que, apesar da crise política pela qual o país passa, pequenos empresários estão otimistas quanto a investimentos e à retomada do crescimento. Mas é necessário colocar a mão na massa e se renovar. “Não adianta ter meta e relatório bonito dentro de uma gaveta fechada, sem acompanhamento. Temos que sair da repetição. Temos que estar sempre mudando e nos renovando”, encerrou. Acesse o arquivo da palestra.

Horácio Figueiredo, chefe de gabinete da ANA
Horácio Figueiredo, chefe de gabinete da ANA

Espírito Santo no Fórum Mundial

Como nos Preparatórios anteriores, de Campinas e de Manaus, o evento foi encerrado com palestra do chefe de gabinete da Agência Nacional de Águas (ANA), Horácio Figueiredo. Em Colatina, ele apontou que o desastre de Mariana trouxe investimento de mais de R$ 20 bilhões para a região. “Precisamos potencializar o uso desse dinheiro”, disse, antes de afirmar que é imprescindível que o Espírito Santo participe do 8º Fórum Mundial da Água, em 2018.

Envolvido na organização do evento, Figueiredo explicou aos participantes que o Fórum tem abrangência política, técnica e institucional. “O objetivo é promover o diálogo para influenciar os processos decisórios da água em nível global”. Ele acredita ser o Fórum uma oportunidade de envolver legisladores e agentes de governança na troca de experiências técnicas. “A gestão da água ainda não entrou na agenda política de forma relevante. Infelizmente, ela ganha importância apenas por conta de crises hídricas como desastres e secas”.

Durante a palestra, Horácio explicou como funcionará o evento mundial. “O Fórum não vai ser brasileiro. Vai ser latino-americano”, disse, ao ressaltar que o tema proposto pelo país foi “Compartilhando água”, por ser justamente uma característica da América do Sul. “As águas utilizadas do Equador para baixo vêm quase todas da Bacia Amazônica. E as águas da Bacia do Paraná são partilhadas com Uruguai, Paraguai e Argentina”. Figueiredo defende que um grande conflito ainda não muito abordado é a divisão da água. “Imagina o Rio São Francisco, que passa por sete estados no Brasil… Se apenas um estado resolve consumir toda sua água, ele gerará crise hídrica nos outros lugares. Imagina na Europa: rios que passam por Espanha, Portugal e França. Se cada um for legislar sobre os rios à sua maneira, cria-se uma crise internacional”. Acesse o arquivo da palestra.

Beatriz Leal e Fernanda Gomes
Equipes de Comunicação do Confea e do Crea-ES