Confea e Crea-MT convocam profissionais para garantir oferta de água com sustentabilidade


Cuiabá, 3 de outubro de 2017.

Nesta semana, Cuiabá (MT) recebe profissionais do Sistema Confea/Crea e Mútua para discutirem questões relacionadas ao manejo sustentável dos recursos hídricos da região conhecida por ser irrigada pelas grandes bacias hidrográficas Amazônica, Platina e Tocantins e por também abranger os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. A agenda integra o Preparatório da Engenharia e da Agronomia para o Fórum Mundial da Água, que será realizado no Brasil em 2018.

A solenidade de abertura, realizada na segunda-feira (2) pelo Confea em parceria com o Crea-MT no Hotel Deville, reuniu autoridades governamentais, lideranças do Sistema e representantes dos setores industrial, acadêmico e jurídico, a quem o presidente em exercício do Confea, eng. agr. Daniel Antonio Salati, revelou a preocupação do Conselho Federal com a questão ambiental: “Resolvemos fazer uma cruzada pelo Brasil a fim de chamar atenção de profissionais e da sociedade porque alguma coisa temos que fazer pela água”.

Para Salati, o preparatório cumpre a missão de reunir contribuições técnicas voltadas para solucionar, por exemplo, problemas como o desperdício de recursos hídricos. “Nós captamos, tratamos e distribuímos a água para a população, mas perdemos de 40% a 50% da água tratada. Olha o custo social disso”, alertou o presidente, para quem questões como essa devem ser abordadas de maneira enfática pelos participantes do preparatório. “Nós não temos mais tempo. Precisamos cuidar mais da água e esse chamamento é para agora, para já”, reforçou.

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Ao recepcionar o público local, o anfitrião e presidente em exercício do Crea-MT, eng. eletric. Marcos Vinícius da Silva, destacou que o preparatório é um espaço aberto a todos os setores da sociedade. “Diante da importância do Fórum Mundial, o Confea tomou a iniciativa de realizar em cada região do país preparativos para contribuir com o debate, levando profissionais do Sistema, especialistas e estudantes a discutir e trocar experiências voltadas à problemática sobre a crise hídrica.”

Confiante nos resultados do preparatório, Marcos Vinícius chamou atenção dos mato-grossenses para a oportunidade que estão tendo de encaminhar seus conhecimentos para o evento internacional. “Tenho certeza de que as discussões daqui serão encaminhadas para o Fórum de 2018”, afirmou.

Já o conselheiro federal suplente por Mato Grosso, eng. civ. André Schuring, agradeceu o Confea por contemplar o estado com a realização do ciclo de debates: “Obrigado por terem lembrado do Pantanal, de seus três ecossistemas, de um povo ávido por novas formas e novas experiências”.

Também enaltecendo a promoção do evento, o diretor da Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea (Mútua), eng. civ. Jorge Silveira, afirmou que a instituição “não poderia deixar de contribuir de forma efetiva para um evento desta natureza, pois quando se fala em água, toda a engenharia tem a ver com a temática”.

Expectativas 

O reconhecimento marcou a fala do vice-reitor da Universidade Federal de Mato Grosso, Evandro Aparecido Soares da Silva: “Parabenizo o Sistema por organizar este evento, que servirá para criar uma massa crítica para levar as demandas do Mato Grosso para o Fórum e, assim, conseguir um desenvolvimento sustentável para todo o estado”.

Outro a apostar na agenda de debates como caminho para encontrar soluções para a crise hídrica foi Rodrigo Curvo, juiz titular da Vara de Meio Ambiente de Cuiabá, repartição pioneira no Brasil que neste ano completa 20 anos. Curvo relatou vivenciar problemáticas que comprometem o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, garantido no artigo 225 da Constituição Federal. “A preocupação com a água é diária seja pela exploração das margens do nosso rio Cuiabá, seja pelo aterramento de nascentes nas zonas rural e urbana, ou pela degradação do nosso Pantanal. Por isso, eventos como este são importantes para identificar fragilidades e alternativas para a questão da água. Desejo aos senhores que encontrem luzes para essa questão tão sensível”, comentou.

Honrado de recepcionar o evento na região, o secretário municipal adjunto de Meio Ambiente, Jackson Messias – representando o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro – aproveitou o discurso para demonstrar as preocupações dos gestores públicos. “Mesmo sendo um direito garantido na Constituição Federal, é fato que o saneamento básico é um grande problema. Nosso baixo tratamento de água e de coleta de esgoto é que deixa o Brasil em atraso no índice de saneamento. O número chega a 35 milhões de brasileiros que não têm acesso a serviços de água tratada, segundo o Instituto Trata Brasil. Apenas 40% dos esgotos são tratados. E seriam necessários cerca de 30 ou 40 anos para universalização da água”.

Para garantir a segurança hídrica necessária, é que a prefeitura trabalha em parceria com o Ministério Público do estado, o Instituto Ação Verde e a Universidade Federal de Mato Grosso no projeto “Água para o futuro”, cujo objetivo é identificar, monitorar, preservar e recuperar nascentes urbanas de Cuiabá, um município rico em sistema superficial de abastecimento, os chamados fio d’água, não demandando a construção de represas ou lagos de inundação. “A responsabilidade é de todos”, disse Pinheiro ao lembrar que preservar nascentes garante eficiência na oferta de água.

Outra iniciativa que busca garantir qualidade de vida para a população é o atual “programa de saneamento básico que abrange 80 municípios, desenvolvido pelo governo estadual em parceria com a UFMT, como contrapartida para conseguir mais recursos financeiros do governo federal para Mato Grosso”, como explicou o engenheiro civil e secretário adjunto de Políticas Urbanas, Nelson Esteves, na ocasião representando o governador Pedro Taques.

Também participaram da cerimônia de abertura o coordenador do Colégio de Entidades Nacionais (Cden), eng. agr. Angelo Petto Neto, o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (FIEMT), José Carlos Dorte, além de representantes da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat).

Programação

A rodada de debates sobre os desafios hídricos da atualidade tem início nesta terça-feira (3), com palestras sobre drenagem urbana, impactos das variações climáticas nos setores de água e energia, crise hídrica na Bacia do Rio São Francisco e saneamento básico.

Na quarta-feira (4), último dia do evento, a programação será marcada com a participação do engenheiro civil e chefe de gabinete da Agência Nacional da Água (ANA), Horácio Figueiredo Junior, que irá apresentar um pouco do que será o 8º Fórum Mundial da Água. A agência nacional, assim como o Confea, é membro da Seção Brasil do Conselho Mundial da Água, cuja responsabilidade é organizar o evento de 2018.

Julianna Curado

Equipe de Comunicação do Confea