Municipalização do saneamento e descoberta de nascentes asseguram água para o futuro de MT


A participação da Agência Nacional da Água (ANA) encerrou o Preparatório da Engenharia e da Agronomia para o Fórum Mundial 2018. O engenheiro civil e chefe de gabinete da agência, Horácio Figueiredo Junior, adiantou ao público detalhes do evento internacional, que será sediado pela primeira vez no Brasil. A ANA, assim como o Confea, é membro da Seção Brasil do Conselho Mundial da Água, cuja responsabilidade é organizar a oitava edição do fórum.

Engenheiro civil e chefe de gabinete da ANA, Horácio Figueiredo Junior

Sobre a realização do Fórum, Horácio sinalizou que a oitava edição irá discutir o “tema água sob a perspectiva da sustentabilidade, ampliando o espectro institucional e incluindo jovens, estudantes, representantes da sociedade civil de diferentes perfis, mídia, empresários, entre outros”. A expectativa é de que mais de 40 mil pessoas de mais de 160 países participem, e estão programadas cem sessões, além de diversos eventos paralelos.

A programação abordará grandes temas, como clima, pessoas, crescimento, qualidade, ecossistemas e finanças, os quais serão debatidos sob o ponto de vista do compartilhamento, capacitação e governança. “Esse intercâmbio de informação irá ajudar a termos uma água de qualidade e fazer com que ela chegue a todos. Esperamos vocês em Brasília com ideias, experiências e também com o compromisso na gestão pública da água. Queremos a contribuição de vocês. É dentro da nossa categoria que as soluções devem aparecer. Por isso, estamos convocando a engenharia brasileira”, enfatizou. Conheça mais informações sobre o Fórum.

Álbum de fotos

Palestras

Saneamento básico

Ainda na quarta-feira (4), os participantes do Preparatório em Cuiabá assistiram à palestra “Elaboração e execução dos planos municipais de saneamento básico em Mato Grosso: desafios e perspectivas”, ministrada pela engenheira sanitarista e PhD Eliana Rondon Lima, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Palestrante Eliane Rondon

A especialista apresentou o projeto que tem sido desenvolvido em 108 dos 141 municípios mato-grossenses. A iniciativa, que tem a parceria da Funasa e do governo estadual, abrange localidades com até 50 mil habitantes. São beneficiados mais de 1,3 milhão de pessoas e 1409 unidades rurais. “A carência dos serviços de coleta, afastamento e tratamento de efluentes sanitários no estado são alguns dos problemas mais relevantes a serem considerados na gestão de recursos hídricos, devido à possibilidade de transmissão de doenças de veiculação hídrica à população, entre as quais hepatite, cólera e verminoses. Dos 141 municípios de Mato Grosso, apenas 16 possuem algum tipo de tratamento”, alertou a engenheira sanitarista, para quem a gestão do saneamento passa pelo planejamento, pela regulação, fiscalização e controle social.

Preocupada com o baixo índice de saneamento básico no estado, a pesquisadora criticou o panorama local sinalizando que as desigualdades socioeconômicas entre os municípios mato-grossenses são significativamente acentuadas, tanto quanto à capacidade financeira individual dos municípios para investimentos e custeio de serviços públicos essenciais, quanto à disponibilidade de renda dos seus munícipes para pagamento por esses serviços. “A ausência de saneamento nos coloca em situação inferior. A realidade é chocante e alarmante. Em muitas localidades que visitamos, vimos a população acostumada a olhar o esgoto correndo pelo rio”, lamentou.

Sobre os ganhos mais expressivos do projeto, a professora ressalta o envolvimento dos alunos de graduação e extensão com a causa social. “Hoje esse é o projeto mais importante da UFMT porque é a universidade em 108 municípios. Também estamos elaborando um banco de dados que será compartilhado e poderá funcionar como fonte de informações para acadêmicos, pesquisadores e governos”. Veja aqui os resultados preliminares do projeto: parte 1 e parte 2.

Água para o futuro

Promotor de Justiça de Defesa de Ordem Urbanística e do Patrimônio Cultural de Cuiabá Gerson Natalício Barbosa

O projeto “Água para o futuro” foi exposto pelo promotor de Justiça de Defesa de Ordem Urbanística e do Patrimônio Cultural de Cuiabá Gerson Natalício Barbosa. A iniciativa, segundo o palestrante, busca a proteção das nascentes da área urbana da capital de Mato Grosso para garantir a segurança hídrica e o abastecimento de água potável para as atuais e as futuras gerações. Para isso, são identificadas, caracterizadas, monitoradas e preservadas as nascentes urbanas, tanto as perenes quanto as intermitentes. “Temos preocupação com isso porque, por exemplo, antes tínhamos 50 córregos e hoje temos apenas 28 e todos poluídos”, relatou. O trabalho, que tem acontecido em parceria com a UFMT há dois anos, contempla a criação de um banco de dados disponível em plataforma Geocloud, com informações sobre as nascentes e as ações do projeto; criação de uma zona tampão de proteção delimitada em torno das nascentes; além da responsabilização criminal e cível dos poluidores.

Ações digitais também integram o projeto. Entre elas, o aplicativo para celular que permite que a população contribua diretamente para a identificação e monitoramento de nascentes, além de poderem denunciar crimes. Pelo app, as pessoas podem enviar foto e informar a posição geográfica de uma fonte de água ainda não identificada. Esses dados são analisados por especialistas e depois podem ser inseridas no mapa de monitoramento do projeto. Com isso, 15 nascentes já foram descobertas pela própria comunidade.  “A previsão é que daqui três ou cinco anos Cuiabá sofra uma severa crise hídrica. Nosso maior orgulho é chegar antes desse problema. Se daqui cinco anos abrirmos as torneiras e tivermos água, poderemos dizer que o projeto deu certo”, aposta o promotor. Mais detalhes da iniciativa podem ser conhecidos em http://aguaparaofuturo.mpmt.mp.br/ e na palestra ministrada no Preparatório de Cuiabá.

Lideranças do Sistema no encerramento do Preparatório

Resultados

Ao final do ciclo de palestras, representantes do Confea e do Crea avaliaram a realização da quinta edição do Preparatório para o Fórum Mundial da Água. Para o eng. civ. Gilberto Campos, assessor da presidência representando o presidente em exercício do Conselho Federal, essa foi mais uma agenda produtiva. “Tenho certeza de que está refletido aqui o que está escrito no artigo 1º da nossa Lei nº 5194/66, que diz que nossas profissões são caracterizadas pelas realizações de interesse social e humano. Estamos cumprindo nossa obrigação ao realizar esse evento voltado para a conservação hídrica”, afirmou. Também em reconhecimento, o presidente em exercício do Crea-MT, eng. eletric. Marcos Vinícius, agradeceu ao Confea e aos participantes pela realização e presença no preparatório.

Donativos arrecadados

O evento rendeu outra contribuição social para a comunidade. Os mais de 250 quilos de alimentos doados pelos inscritos no evento foram entregues à Associação dos Amigos das Crianças com Câncer de Mato Grosso (AACC-MT). “Os donativos serão úteis na composição das cestas básicas que alimentam crianças carentes e em tratamento médico em Cuiabá e Várzea Grande”, explicou Claudemir Ferreira, representante da instituição.Segundo o presidente em exercício Marcos Vinícius, com essa ação o Crea-MT vai além de suas atribuições finalísticas de fiscalização profissional. “Estamos sendo parceiros de entidades que fazem esse papel brilhante de atender à sociedade. Isso nos engrandece e orgulha”, comentou.Representando o presidente em exercício do Confea na entrega dos donativos, o conselheiro federal Afonso Bernardes disse que “a iniciativa vai ao encontro da necessidade da população carente, além de permitir que o Conselho participe diretamente da vida da sociedade”.

Para ler a cobertura do evento, acesse mundialagua.confea.org.br

Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea